Governo interino inicia soltura de opositores na Venezuela; Rocío San Miguel está na lista
Ação ocorre cinco dias após operação militar dos EUA e captura de Nicolás Maduro; Espanha confirma soltura de cidadãos.
Reprodução/Jornal DR1 O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, confirmou nesta quinta-feira (8) o início da libertação de um "número significativo" de presos políticos. A medida, classificada pelo governo interino de Delcy Rodríguez como um "gesto de paz unilateral", ocorre em um cenário de alta tensão política, apenas cinco dias após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro.
Nomes confirmados e perfil dos libertados
Entre os beneficiados pela medida estão figuras emblemáticas da oposição e da sociedade civil. A ativista de direitos humanos Rocío San Miguel, detida desde fevereiro de 2024 acusada de "traição à pátria", está na lista de soltura, assim como o ex-candidato presidencial Enrique Márquez.
O governo da Espanha também confirmou que cidadãos espanhóis detidos pelo serviço de inteligência venezuelano (Sebin) foram liberados. Segundo Jorge Rodríguez, a ação busca "consolidar a paz" e iniciar um processo de reconciliação nacional, negando que a decisão seja fruto de negociações diretas com Washington.
Reação da oposição e cenário internacional
A líder opositora María Corina Machado reagiu ao anúncio afirmando que as libertações são um passo necessário, mas insuficiente. Machado reiterou a exigência de liberdade plena para todos os detidos, apontando que a ONG Foro Penal contabiliza mais de 800 presos por motivações políticas no país, incluindo militares.
O anúncio é visto por analistas como uma tentativa do governo interino de estabilizar a governabilidade e reduzir a pressão internacional. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, acompanha o processo, tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantido conversas recentes com líderes regionais sobre a crise em Caracas.




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